ARTIGO: Desligamento

Por Jeruza Lisboa Pacheco Reis*
 
Dentre as inúmeras atividades cotidianas temos uma essencial, diria vital, o ato de desligamento, de descanso, de reposição das energias consumidas durante o período das atividades físicas e mentais. O sono, um alimento necessário para o corpo, que reduz as atividades motoras, contem o metabolismo e diminui a temperatura do corpo.
Esse ato de desligamento é necessário tanto para o corpo quanto para a vitalidade das atividades cerebrais, pois, nesse repouso é que ocorre a reprogramação mental do sistema nervoso, a organização das informações colhidas durante o dia.
No aspecto emocional, descansar, desligar-se significa amenizar a ansiedade.
Dentro da concepção metafísica, o ato de desligamento, o sono, requer uma atitude de desprendimento e liberação das atividades cotidianas, mesmo que haja fato inusitado, gerador de preocupação. O ato de desligamento, verdadeiramente só ocorre quando a pessoa despoja-se das preocupações existenciais.
É preciso confiança em si mesmo e, também, nos processos existenciais, para soltar a vida é deixar as coisas acontecerem. Dormir e, no dia seguinte retomar as atividades de coordenação dos acontecimentos. Diria que, digerir para compreender.
Algumas pessoas têm dificuldade nisso, mas devemos lembrar que, se situações ou pessoas vierem com toda a fúria, julgando, sentenciando e condenando aquilo que, apesar de ser trágico, carregado de dor e sofrimento, não tem nada a ver com você, nem com seu histórico de vida ou suas intenções e motivações, tenha em mente que: você não é Deus! Por isso não pode nem consegue controlar e definir tudo.
 
Não assuma o papel que muitos, na ânsia de acharem um culpado, querem impor a você, manipulando situações, falas, pessoas e fatos.
 
Tenha certeza de quem você é e, do que tem feito de sua vida e, não abra mão de sua história de verdade. Entregue essa situação nas mãos de Deus, confie nele. A seu templo, ele justificará você. Erga a cabeça e continue de pé.
O fato de estar passando por um problema, não quer dizer que você é o problema. Funciona mais ou menos como estar gripado: o fato de estar gripado não quer dizer que você é a gripe.
Mesmo que condenem você, isso não quer dizer que você é culpado, e sim que esse é o entendimento de quem está condenado.
Nem sempre a maioria tem razão ao condenar alguém. Isso fica bem claro quando olhamos para Jesus, que foi escolhido pela maioria para ser sacrificado.
Tenha como fundamental o que Deus diz a você. Se, apesar de estar passando por grande sofrimento e dor em alguma área de sua vida, em todas as outras Deus o abençoa e honra, então essa situação é uma provação, um sofrimento que faz parte dos propósitos maiores de Deus. Razão pela qual devemos extrair disso o melhor. Não se permita ficar marcado, pelo contrário, marque essa situação com sua fé e determinação de vencer.
Ah, mas é difícil…? Pode ser, mas quando faltarem forças pra continuar, não faltará em Deus forças para sustentar você.
É possível passar pelo vale da sombra da morte sem perder a alegria de viver. Deus é o socorro bem presente na hora da angústia e, de nossa fraqueza faz brotar uma força maior que a do leão.
Afinal, para despreocupar-se e relaxar para dormir, faz-se necessário uma porção de Fé nos processos existenciais. O período de final de ano nos convida, não apenas, a refletir na retrospectiva, mas recarregar energias para um novo e promissor amanhecer. Boas festas!
*Jeruza Lisboa Pacheco Reis é advogada e professora, mestre em Filosofia, vereadora em Poá, autora do livro “Rosa-Choque – Histórias de uma mulher que escolheu resistir, persistir e insistir” e do livro Poá: De Província à Estância Hidromineral.

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