ARTIGO: Formação continuada: benefícios para o Educador e alunos

Por Tânia Bueno*

Atualmente verifica-se a decadência do ensino público e isso acontece por várias razões, uma delas decorre da formação inicial deficitária de crianças e jovens que mais tarde tornar-se-ão profissionais e muitos na área da educação.

Infelizmente com uma base escolar negligenciada teremos muitos profissionais com uma atuação que deixará a desejar, ainda aliado a isso, temos o pouco ou nenhum investimento na educação profissional do educador, seja por parte da instituição contratante, seja por parte do próprio profissional, que, muitas vezes, têm necessidades básicas a serem atendidas com o salário que ganha e qualquer investimento em cursos que podem contribuir com o seu desenvolvimento fica sempre em segundo plano.

No entanto, é preciso que a Formação Continuada do Educador, aconteça de forma constante, caso contrário ficarão sempre a passos atrás das inovações e transformações que acontecem o tempo inteiro. Penso que a Formação Continuada de educadores deve visar à contribuição para o desenvolvimento humanista deles, pois são mobilizados a pensarem o exercício do papel profissional, pensarem e identificar competências a desenvolverem, raciocinar, refletir e expressar sentimentos sobre o seu papel como educador em constante formação.

Quando penso na importância do papel do educador e sua formação, me remeto ao Psicodrama Sócio Educacional que possibilita vivências e estudos, permitindo que os educadores façam uma análise crítica do uso de jogos, dramatizações, colagens, construções coletivas realizadas, considerando a sociodinâmica dos grupos que coordenam.  Esta prática possibilitará ao educador estimular a construção de relações cooperativas, através do clima emocional do grupo, de tal forma, que se processe o ciclo espontaneidade-criatividade-aprendizagem em que o aluno é o protagonista de sua trajetória de aprendizagem, mediado pelo educador que assume dois papéis.

Como estamos falando em educação, não se pode deixar de fora os quatro pilares da educação, que embasam tanto a prática em sala de aula quanto o investimento na educação continuada.

1) Aprender a conhecer está relacionado a compreensão do mundo que rodeia a pessoa, e quem aprende a conhecer, aprende a aprender. Como o processo de aprendizagem é contínuo se dá através de qualquer experiência ao longo da vida e está cada vez mais associado ao mundo do trabalho

2) Aprender a fazer está ligado à formação profissional e ao preparo para o mundo do trabalho, ou seja, colocar em prática os conhecimentos e adaptar a educação ao futuro trabalho, através do desenvolvimento  da capacidade de resolver situações imprevistas e dar respostas novas às situações conhecidas, pois as rápidas transformações tecnológicas exige cada vez do indivíduo qualificação técnica e profissional, facilidade para o trabalho em equipe e capacidade de iniciativa.

3) Aprender a viver juntos, para que este pilar aconteça é preciso promover o conhecimento do outro e de si mesmo, entrar em contato com a diversidade  cultural, étnica, religiosa e, descobrir as semelhanças e a interdependência entre as pessoas. Tudo isso é possível, através do respeito à diversidade e da definição de objetivos e projetos comuns, e o consequente desenvolvimento da solidariedade e cooperação.

4) Aprender a ser considera que a educação deve contribuir para o desenvolvimento integral da pessoa que se inicia com o conhecimento de si e do outro de tal forma que possa pensar e agir autonomamente, valendo-se da reflexão e da análise crítica em diferentes situações, usando a criatividade e espontaneidade e dar respostas novas a situações já conhecidas.

Aliado aos quatro pilares da educação se junta o conceito de competência, que é um processo da construção cotidiana, mas aqui associada à profissionalização, assim, apesar de não ser o único investimento, é um caminho que permite elevar o nível de competência dos profissionais. O profissional que se preocupa, e mais que isso, investe na sua formação ao longo da vida, se diferencia positivamente e estimula esta ação nas crianças e jovens com os quais interage no processo de ensino-aprendizagem.

Enfim, não tem como terminar a graduação e achar que está pronto e que não precisa estudar, que não tem mais o que aprender, ledo engano, pois em minha opinião o que conseguimos na universidade são informações que deverão ser aprimoradas ao longo da vida profissional e nortearão a formação continuada. Pois, sem atualização, sem novas descobertas, sem compartilhar o conhecimento adquirido, o profissional perece.

*Tânia Bueno (tania@egeriaconsultoria.com.br): Psicóloga, Pós-graduada em Psicodrama e Violência Doméstica. Atua a mais de 20 anos na área sócio-educacional. Sócia Fundadora da Egéria Consultoria.


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