ARTIGO: Hipótese Hidráulica

*Jeruza Lisboa Pacheco Reis

Tão antiga e tão atual a questão da água para nós seres humanos e para os povos. Imaginem no Egito Antigo, a importância do Rio Nilo para os egípcios, tal qual a importância dos rios Tigre e Eufrates para o povo da Mesopotâmia (civilizações Suméria, Assíria e Babilônia), guardadas, obviamente as ressalvas aos termos pagãos, que embora discordemos na íntegra, não podemos ignorar, do ponto de vista histórico, considerando o objeto, a água.

Os historiadores apontam a Hipótese Causal Hidráulica como a principal explicação para a organização do homem em sociedade. Essa explicação credita à abundância de recursos naturais o aparecimento das primeiras civilizações como, o Egito. Embora outra corrente de estudiosos discorde e aponte a falência dessa hipótese, devido apenas ao poder centralizado para que este pudesse controlar a produção, uma vez que a região não possuía recursos tão abundantes assim, necessitando maior controle sobre os poucos existentes.

O pai da História, Heródoto de Halicarnasso, no texto deixado, intitulado Hino ao Nilo assim dizia: “Salve, ó Nilo! Ó tu que manifestaste sobre esta terra e vens em paz para dar”.
Vida ao Egito. Regas a terra em toda parte, deus dos grãos, mentor dos Peixes, criador do trigo, produtor da cevada… Ele traz as provisões deliciosas, cria todas as coisas boas, é o senhor das nutrições agradáveis e escolhidas. “O Egito é uma dádiva do Nilo”.

Dessa forma encerra o historiador primeiro, suas impressões sobre o Rio Nilo. E nos deixa uma reflexão sobre a importância de nossos rios.

Sinto-me cumpridora do meu dever, embora modesto e incipiente, ao ter inserido, no corpo da Licença ambiental inicial do empreendimento Rodoanel trecho leste Mário Covas, a proteção do Rio Guaió, que faz a divisa fronteiriça de Poá e Suzano e desemboca no Rio Tietê, que também banha nossas terras poaenses. Mesmo sabendo que, no EIA-RIMA e na licença prévia, a proteção chega a ser até poética de tão linda, mas na prática não foi bem assim não, pois a empresa concessionária Responsável pela obra não se atentou para isso, ignorou, por completo nossos apelos, nossas solicitações, afrontando os preceitos. Tem imagens que valem mais por si só que por mil palavras, por essa razão incluo aqui a foto do Rio Guaió de Poá sendo assoreado pelo Rodoanel e, alguém tem gritar por ele. Pensemos!

*Jeruza Lisboa Pacheco Reis é advogada e professora, mestre em Filosofia, vereadora em Poá, autora do livro “Rosa-Choque – Histórias de uma mulher que escolheu resistir, persistir e insistir” e do livro Poá: De Província à Estância Hidromineral.


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