ARTIGO: Não queira para o seu filho o que seu pai queria para você

Por Marcos Tartuci*

Esquece aquele papo de que seu filho tem que fazer o que você fez. Aposente de vez a ideia de que para ser feliz e ter sucesso na vida é necessário seguir carreiras tradicionais. Repare que você pouco conhece tantas novas profissões que tem surgido. Youtuber? Designthinker? Game Developer? Muitos de nós nascemos ouvindo de nossos pais que carreiras promissoras são engenharia, medicina ou direito, como exemplos.

Quando eu decidi ir para a faculdade – como eu era um bom aluno – obviamente era essa a expectativa de meus pais. Contei que faria faculdade de turismo e meu pai imediatamente soltou “vai aprender a viajar?”. Passa por isso quem quer ser pioneiro, começar antes e se dedicar ao que poucos se dedicam hoje. E assim, é claro, o sucesso vem primeiro.

Os jovens criativos, que conseguiram escapar do que os pais queriam, pois nunca se imaginaram nas carreiras tradicionais, conseguiram convence-los de que fariam cursos como comunicação social, marketing e relações públicas, já que jornalismo e publicidade beiravam o limite da expressão criativa dentro de uma sala de aula. Mas a Geração Z não é assim. Os jovens nascidos a partir de 1995 (mais de 20 anos atrás!) já chegaram ao mundo vendo as profissões ligadas ao computador e à internet como algo natural.

Eles acompanharam a modernização dos celulares e computadores, viram a Apple lançar seu primeiro smartphone há exatos 10 anos, seus mp3 players virarem iPods, viram chegar notebooks, netbooks, tablets, e-readers e consoles de videogame de altíssima geração.

Junto com as profissões “do futuro” também surgem profissionalizações de excelência. Os clássicos cursos técnicos de elétrica, corte e costura ou informática das décadas passadas agora dão lugar aos cursos de edição de vídeo, motion graphics, storyboard, game design, design gráfico, 3D e artes digitais, que estão disponíveis inclusive em plataformas de ensino à distância.

Ser youtuber é um termo da moda, mas isso não é à toa. Jovens dos 12 a 16 anos já buscam espaço na plataforma com vídeos cheios de opinião, inspirados pelos brasileiros Kéfera Buchmann, Felipe Neto e Whindersson Nunes – este último considerado o segundo youtuber mais influente do mundo pela Snack Intelligence. Já os jogadores profissionais de games viajam o mundo, dão autógrafos, têm torcidas e ganham milhares de reais por partida, derrubando o conceito de que as profissões que “valem a pena” são as tradicionais.

A Geração Z não trabalha por dinheiro, não gosta de seguir horário fixo e não topa ficar em um ambiente hostil. O que eles querem – e sabem – é que é possível trabalhar com o que se ama. Hollywood é prova disso. A capital do cinema não vive só de atrizes e atores, lá está a gama criativa de produtores, roteiristas, especialistas em efeitos especiais e sonoros, figurinistas e outros verdadeiros artistas que tornam o entretenimento muito mais valioso do que qualquer área tradicional do mundo.

Por isso, não é de se estranhar que os adolescentes cada vez mais queiram ser YouTubers, jogadores de e-Sports ou Game Designers. O mercado está sedento e preparado para eles.
Resta-nos apoiá-los e deixar que nos ensinem os meandros dessas novas profissões que escolheram, afinal são muito mais conhecedores do que nós mesmos!

* Marcos Tartuci é CEO da REDZERO, rede de escolas de games e entretenimento digital, que possui unidades high tech planejadas para estimular a criatividade e inovação dos alunos, e pertence aos mesmos donos da Full Sail University, universidade norte-americana que é referência mundial em educação de mídias, artes e entretenimento – www.redzero.com e www.fullsail.edu.


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