ARTIGO: Quem vai pagar o pato?

A economia brasileira entrou de fato num círculo vicioso, alimentado pelas quedas sucessivas de postos de trabalho e do consumo das famílias, do aumento de taxas e impostos, e pela falta de perspectiva de melhora a curto e médio prazo. Não existe receita mágica para mudar este cenário: os governos precisam fazer um forte ajuste das contas públicas e não impor aos brasileiros uma oneração ainda maior com novos tributos. Vale lembrar que no Brasil são arrecadados cerca de R$ 2 trilhões em impostos por ano.
A soma desses fatores afeta diretamente todo setor produtivo, em especial um dos segmentos mais importantes do equilíbrio socioeconômico: as micro e pequenas empresas, responsáveis por gerar 70% dos novos postos de trabalho e 27% do Produto Interno Bruto (PIB).
Diante dessas condições, aqui no Sebrae-SP optamos por apoiar fortemente os pequenos negócios em duas frentes: a capacitação em gestão e a mobilização pelo fim de mais impostos.
Estamos a poucas horas do Dia da Pequena Empresa, celebrada em 5 de outubro. Nesse ano estamos comemorando de uma forma diferente, com o movimento Compre do Pequeno Negócio. Toda nossa rede de atendimento – presencial e remota – está levando orientação e capacitação que ajudam o empresário a melhorar sua gestão e se organizar de forma mais competitiva. É o preparatório para a Semana do Empreendedor, que acontece de 5 a 10 de outubro, direcionada aos que querem abrir ou melhorar seu empreendimento. Um verdadeiro mutirão, com consultoria, palestras, cursos de planejamento, finanças, marketing e vendas, crédito, legislação, inovação, acessadas presencial ou virtualmente.
Ao mesmo tempo, iniciei a campanha #Nãovoupagaropato com o objetivo de mobilizar lideranças, empresários, trabalhadores e sociedade civil a mostrar claramente nossa posição contrária ao aumento de impostos e à recriação da CPMF. Já somos o País com uma das maiores cargas tributárias do mundo. Aqui, ao comprar um celular por R$ 500,00, R$ 200,00 são de impostos; um batom de R$ 15,00, tem R$ 7,65 de tributos embutidos; a conta de luz de R$ 30,00 poderia ser bem menor, não fossem os quase R$ 14,50 de impostos. Mais tributos certamente forçarão as empresas a se tornar menos eficientes, fechar ainda mais vagas de emprego e alimentar o temeroso ciclo vicioso.
Nosso recado é claro: estamos fazendo a parte que nos cabe, trabalhando arduamente para racionalizar custos, procurar novas formas de acessar mercados e mostrando que este é o caminho para restabelecer o ciclo de desenvolvimento sustentável. O caminho mais fácil, de aumento de impostos, é um modelo que não serve ao Brasil nem de hoje e nem de amanhã.
*Paulo Skaf é presidente do Sebrae e da Fiesp.

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