Cadeirante em Itaquaquecetuba aponta suas dificuldades cotidianas

Moradora do bairro Jardim Caiuby em Itaquaquecetuba há 15 anos, Silvana é uma cadeirante que sofre com a infraestrutura, o transporte e a segurança da cidade

Por Gabriela Gonça

Nascida em março de 1975 em Itaquaquecetuba, Silvana dos Santos, adquiriu paralisia infantil aos quatro anos de idade. Se mudou para o interior de São Paulo após o falecimento de sua mãe quando ainda tinha nove anos para morar com a tia e os irmãos. De volta à sua cidade natal a 15 anos, Silvana enfrenta as dificuldades do dia a dia que todo deficiente físico tem, mas ela admite, “os moradores de Itaquá têm bem mais”.

A dona de casa nunca teve a oportunidade de trabalhar, aprendeu a ler e escrever com seu próprio esforço, sozinha. Sempre determinada e carismática, Silvana nunca se sentiu abatida por causa da doença, superou suas dificuldades, tem uma vida comum e ativa como qualquer outra pessoa. Casada há cinco anos, o esposo trabalha formalmente, mas a moça não se limita, “ele me ajuda, mas eu também não fico parada, vendo produtos variados para ajudar em casa e comprar minhas próprias coisas”.

O bairro Jardim Caiuby, fica há cerca de seis quilômetros do centro de Itaquaquecetuba, Silvana tem uma estratégia: guarda todas as suas pendencias para um único dia, assim evita fazer mais de uma viagem cansativa dentro da própria cidade. O ponto de ônibus fica há 20 minutos de sua casa, a maior parte do percurso é de estrada asfaltada, mas sem calçada, a cadeirante é obrigada a andar pela rua junto dos carros. Após esperar pelo ônibus por um tempo médio de 30 minutos, é preciso que o mesmo tenha a adaptação para cadeirantes, “uma coisa boa que o prefeito fez foi colocar todos os ônibus em circulação adaptados para nós, cadeirantes, o problema é que nem todos estão funcionando, e neste caso, tenho que aguardar o próximo por mais de uma hora, ou então, pode acontecer de já ter um outro cadeirante, e como só tem espaço pra um, o motorista coloca o outro do lado, sem cinto de segurança, sem nada”, afirma a cadeirante.

Ao chegar no Centro de Itaquá a dificuldade não termina, alguns pontos da praça são adaptados, mas são únicos. As calçadas além de estreitas têm árvores e um fluxo grande de pessoas, obrigando os deficientes físicos a caminharem pela rua onde carros passam há centímetros de distância. Há também esgotos expostos e quando chove as ruas alagam, impossibilitando o fluxo dos pedestres.

Silvana é um dos poucos cadeirantes cidadãos de Itaquá que possuem cadeira motorizada, esta ela conseguiu com a ajuda do Clube Rotary da cidade que através de uma ação beneficente arrecadou dois mil reais, a moça ainda assim teve que completar com quatro mil de empréstimo bancário para quitar o valor.

Ao perguntar sobre seu sonho, Silvana responde, “eu sempre quis trabalhar, cheguei até aqui com o meu próprio esforço, tive ajuda de algumas pessoas, mas muitas me viraram as costas. Meu sonho é trabalhar em prol de pessoas como eu, que tem alguma deficiência, seja física ou mental, essas pessoas podem ter a mobilidade, o pensamento, a visão, ou seja o que for reduzido, mas não a capacidade, somos todos capazes de realizar nossos sonhos, e o meu sonho agora é lutar por essas pessoas”.


Comentários no Facebook