“Redes sociais não estão acima da lei”, alerta delegado da Polícia Federal em Suzano

Foto: Sleone
O delegado da Polícia Federal Adriano Mendes Barbosa defendeu ontem o bloqueio do WhatsApp, aplicativo de mensagens instantâneas, e alertou: “Nenhuma empresa, nem mesmo multinacional bilionária, está acima da lei brasileira”. O delegado, que também é corregedor da Polícia Federal no Estado de São Paulo, fez a declaração em palestra no “X Ciclo Jurídico da Unisuz/Uniesp”, nesta quarta-feira (18/05), no Teatro Dr. Armando de Ré.
 
Barbosa veio a Suzano atendendo ao convite do advogado Carlos Roberto Vissechi, que leciona na instituição de ensino superior, para falar sobre “Perspectivas pós-modernas do inquérito policial”. Ele foi recebido pelo Diretório Acadêmico de Direito “Carlos Roberto Vissechi”, vinculado ao curso de Direito da Unisuz.
 
Vissechi conhece Barbosa desde a época em que atuou como advogado da Associação dos Servidores da Polícia Federal em Guarulhos, onde o delegado também trabalhou. O advogado, com mais de 30 anos de carreira, mantém excelente relacionamento e trânsito entre juízes, desembargadores, promotores, delegados e demais profissionais do meio jurídico e policial.
 
Vissechi considerou de extrema importância a participação do delegado da PF no ciclo jurídico, principalmente agora, em razão do momento histórico que o país vive e que tem relação direta com a Operação Lava Jato, da PF.
 
O delegado Adriano Barbosa falou sobre a importância dos inquéritos, que podem ser simples até mais complexos, que requerem grandes operações policiais, e citou a Operação Lava Jato: “Tudo começou com a investigação de um caso de lavagem de dinheiro em uma lava-rápido e que, quando chegou no doleiro Alberto Youssef, deu no que deu”, citou. A Operação Lava Jato detonou o maior escândalo da história da República, o Petrolão, e já levou à prisão políticos e empresários por corrupção e outros crimes.
 
Depois de concluir a explanação, o delegado respondeu a perguntas. O advogado Vissechi perguntou a opinião do palestrante sobre o “grampo” descoberto no gabinete do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme a Imprensa divulgou nessa semana.
Sem fazer juízo de valor, até pela divulgação recente do caso, Barbosa disse que a inteligência policial dá suporte ao inquérito e, para isso, também utiliza instrumentos e técnicas invasivas, mas somente com ordem judicial. Utilizar escutas, à margem da lei, é crime e, provavelmente, o STF pedirá à PF para investigar: “Não se pode avançar na privacidade de um ministro do STF, e ainda mais no gabinete. Isso é um fato grave”, afirmou.
 
Questionado por estudantes sobre as medidas judiciais sobre redes sociais, o delegado da PF foi taxativo: “O ambiente da web não pode ser área livre para o crime e se há crime, as empresas têm de obedecer à lei brasileira, sim, mesmo que sejam multinacionais bilionárias do exterior. Elas não estão acima da lei”, afirmou.
 
Barbosa, porém, acha que o bloqueio decretado por 72 horas foi desproporcional. “Talvez tenha sido uma medida extrema do juiz depois de reiterada desobediência do WhatsApp. O problema é que afetou muita gente que não tinha nada a ver com a investigação”, acrescentou.
 
O corregedor também falou sobre a punição a policiais que saem da linha e afirmou que a Polícia Federal de São Paulo é a que mais demite policiais no Brasil. “Não tem arrego. Não há constrangimento na Polícia Federal em demitir policial bandido”, disse. (Com informações da Fiamini – Soluções Integradas em Comunicação)

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