UPA e CS-II de Itaquaquecetuba são avaliados como “péssimos”

Pacientes dos dois prontos-socorros foram unânimes na má avaliação; superlotação e atendimento ruim estão entre as reclamações. Foto: Lailson Nascimento
Por Lailson Nascimento
 
 
Moradores de Itaquaquecetuba que dependem da rede básica de saúde estão insatisfeitos com o atendimento oferecido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Caiuby e Centro de Saúde 24 horas (CS-II). Relatando demora nas consultas e mau atendimento por parte dos funcionários das duas unidades de pronto-socorro, todos os pacientes consultados pela reportagem avaliaram o serviço municipal como “péssimo”.
 
A dona de casa Tamara Pires Cordeiro deu entrada na UPA às 17h30 do dia 30. Acompanhando a filha de 6 anos – que foi diagnosticada com bronquite, dengue e pneumonia -, ela ainda aguardava a transferência da criança para o Hospital Santa Marcelina mais de 24 horas depois. Para ela, os problemas com o atendimento começaram assim que ela chegou ao local. “Minha filha fez o exame de sangue já atrasado, porque a moça deveria chegar ao plantão às 19 horas, mas só chegou às 19h50. Depois, o resultado do exame, que deveria estar pronto às 7 da manhã, foi sair às 13h40. Segundo a administração, a responsável pelo laboratório passou mal e não tinha ninguém para assumir seu posto. Agora (por volta das 20h30 do dia 31 de março), estou aguardando a transferência dela para o Santa Marcelina”.
 
No mesmo local, a empregada doméstica Kessila Cristina também aguardava o resultado do exame da sua filha. Ainda que estivesse preocupada com as doenças que a criança poderia contrair no local, por conta do ambiente lotado, ela não tinha outra saída a não ser esperar. “Eu dependo da UPA. Na cidade, infelizmente, é minha única opção”, desabafou, fazendo questão de frisar que a nota dela para a UPA é “zero”.
 
Kessila estava acompanhada por Débora dos Santos, que é cuidadora de crianças e idosos. Aproveitando a presença da reportagem, Débora não quis avaliar o atendimento da unidade de saúde com nota. “É simples. Aqui na cidade, para quem depende do serviço público, é mais fácil morrer”. A afirmação da cuidadora está baseada no mau atendimento que ela recebeu em janeiro, quando sua imunidade baixou, devido ao vírus HIV. “Naquele dia, quando disse ao médico que era soropositivo e precisava de uma pomada e um antialérgico, ele simplesmente rasgou a minha ficha e disse que não podia fazer nada por mim”. Desde aquela data, quando se viu obrigada a voltar para sua residência e se curar sozinha, Débora passou a acreditar que, em Itaquaquecetuba, é mais fácil morrer do que depender do atendimento público de saúde.
 
CS-II
Se a avaliação dos pacientes da UPA foi ruim, no CS-II, os entrevistados também não estão satisfeitos. “Estou aqui há três horas, aguardando minha esposa e filho. Para mim, a demora é por conta da falta de organização. Daí a superlotação e o péssimo atendimento”, disse o autônomo Fernando Souza. A dona de casa Gilvania Ferreira da Silva concorda com as críticas de Souza. “O atendimento é péssimo. Vim com a minha filha, que está com febre, e disseram que é virose. O problema é que o diagnóstico é o mesmo para todas as crianças. Não dá para confiar”, lamentou.
 
Prefeitura coloca a culpa em pacientes de outras cidades
 
Questionada, a Prefeitura de Itaquaquecetuba enviou a seguinte nota, que publicamos na íntegra.
 
“A Prefeitura de Itaquaquecetuba informa que, em suas duas unidades de pronto atendimento (Centro de Saúde 24 horas e Unidade de Pronto Atendimento UPA), é utilizado o “Protocolo de Manchester” como referência para o atendimento. O Protocolo de Manchester é um padrão internacional de atendimento, que dá prioridade no acolhimento a casos mais graves, classificado de acordo com o risco do paciente, ou seja, casos mais graves são atendidos preferencialmente. É possível que os casos relatados sejam de menor gravidade, resultando, assim, em um tempo maior de espera pelo atendimento. A UPA e o Centro de Saúde têm a capacidade de atender 800 pacientes por dia, cada unidade. Diante da falta de pediatras nos municípios vizinhos e, no Santa Marcelina, a UPA e o Centro de Saúde passaram a receber uma quantidade maior de pacientes. Cada unidade está atendendo cerca de 1.000 pacientes por dia. Há alguns meses, antes da falta de médicos em outros municípios, a UPA recebia em média 600 pacientes por dia, e o Centro de Saúde, 800. Cabe ressaltar ainda que o município, por ter duas unidades de pronto-socorro com gestão da prefeitura e, por contar com bom atendimento, segundo grande parte dos pacientes, os locais são muito procurados por pacientes de outras cidades, o que sobrecarrega a capacidade de atendimento dos equipamentos de saúde. Tanto a UPA quanto o Centro de Saúde são plenamente capazes de atender a população de Itaquá. Ressaltamos ainda que, em recente pesquisa junto aos usuários do Centro de Saúde, foi constatado que 85% dos pacientes aprovam a qualidade de atendimento do equipamento de saúde. Quanto ao suposto procedimento médico, de que o profissional teria rasgado uma ficha de atendimento a uma paciente portadora de HIV, não há qualquer registro deste procedimento nos registros de ocorrências. Porém, a Secretaria de Saúde vai investigar o suposto fato, e se comprovada a ocorrência, tomará as medidas cabíveis previstas em lei. Quanto à questão do Santa Marcelina, informamos que as transferências ocorrem de acordo com a necessidade do paciente e, principalmente, com a disponibilidade de atendimento do Santa Marcelina”.

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